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segunda-feira, 27 de maio de 2013

1ª Série de Concertos Equilibrium

Caros amigos:

É com grande alegria que venho confirmar a "Primeira Série de Concertos Equilibrium", nossa primeira ação em produção musical. Os concertos serão realizados no teatro da Oficina de Atores Nilton Travesso, na rua Capote Valente 667 (a duas quadras do metrô Clínicas). Serão os cinco sábados do mês de agosto, sempre as 18:30h. Ingressos a R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia). Vendas pelo telefone (11) 2338 7912. das 15:00 as 21:00.

Segue a programação:

03/08/2013: Marcio Guedes (Recital de violão solo)

10/08/2013: Tessares (Quarteto de Cordas)

17/08/2013: Alberto Guedes (Recital de violão solo)

24/08/2013: Duo Guedalma (Marcio Guedes e Renato Almeida: violões)

31/08/2013: Renato Almeida (Recital de violão solo)

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Carta desse professor de música aos alunos:

Desde que iniciei meus estudos de música sempre fui instrumentista. Toquei e toco violão, toquei muita guitarra, violão aço e procurei desenvolver técnica e repertório para me manter apto para subir no palco e procurar fazer a melhor música que posso. Com o tempo, fui desenvolvendo também um enorme interesse pela carreira de professor. Confesso que no início isso me parecia uma ideia um tanto estranha, mas aos poucos, fui me apaixonando por isso e hoje posso dizer que adoro ensinar música. Tanto é que dedico muitas horas da minha semana às atividades pedagógicas. Procuro equilibrar com o tempo dispensado aos ensaios, gravações e apresentações, mas o fato é que acabo passando o maior tempo da semana envolvido com aulas. Jé lecionei em meia dúzia de faculdades, mas o meu foco principal foi ensinar música para o curso de bacharelado em musicoterapia da FMU, cargo no qual estou desde 2004.
Por passar tanto tempo dando aula e por gostar tanto dessa minha função é que lamento alguns fatos desagradáveis que vêm acontecendo há alguns anos. O que no início era raridade, agora se torna frequente: a falta de engajamento e comprometimento de grande parte dos alunos universitários. Como acredito no processo no qual estou envolvido, sou o tipo de professor que dá aulas, que avalia (procuro ser o mais justo possível), que dá nota e que anota quando o aluno está ou não presente.
Sempre estou aberto para discutir notas (faltas não discuto), não me incomodo em conversar sobre isso com meus alunos. Mas, não raro, escuto discursos bastante ríspidos a respeito da minha avaliação, como se eu fosse o culpado pela falta de estudo e de comprometimento do aluno com a construção da sua própria carreira.
Mas, o mais grave, é com relação às faltas. Diversas vezes, tantas que perdi a conta, tive que aturar caras feias, mal-criações, rispidez e birra de alunos que perderam o controle de suas faltas e faltaram mais do que os 25% permitidos, portanto foram reprovados. Sempre escutei a acusação de que eu (!!!) os reprovei, ou que eu deveria ter avisado (!!!) que estavam estourando o limite de faltas. Desde quando professor ganha para gerenciar a vida acadêmica do seu corpo discente?
Em dois desses casos, dois alunos que se julgam acima do corpo docente, discente e do processo pedagógico ao qual se submeteram, chegaram a me agredir verbalmente, dizendo inúmeras palavras de baixo calão, questionaram e tentaram depreciar meu conhecimento e minha atuação (para isso sinceramente não dou a mínima pois minha carreira responde tais acusações por si só), me xingaram de tudo quanto é nome e fizeram ameaças. Sim, ameaças! Um desses casos foi há anos, outro, infelizmente, aconteceu semana passada. Aturo todo o tipo de ação e reação de alunos, mas ofensas acredito não ser obrigado a aturar.
Resolvi escrever essa carta inspirado no grande pianista e compositor André Mehmari, que semana passada relatou o caso de uma apresentação que fez para jovens de escolas públicas e que foi vaiado e xingado, antes mesmo de começar a tocar. Pois é caro André... pior ainda ser xingado e ameaçado por um aluno que convive (ou não) com você toda semana, que deveria ter estabelecido uma relação de cumplicidade e que, sobretudo, deveria saber assumir as consequências dos seus próprios atos.
Portanto caros alunos, gostaria de fazer um apelo: vamos assumir as consequências dos nossos próprios atos? Nós professores, quando faltamos ou atrasamos, somos descontados em nossa folha de pagamento. Por acaso vocês gostam de professores despreparados e descomprometidos? Não né? Portanto, não me obriguem a aturar a displicência de vocês. Se você não vai à aula, eu anoto isso... e é você, caro aluno, quem tem que controlar suas faltas, não eu. Se você não estuda em casa (estudar 20' por semana não conta ok?) não sou responsável pelo seu parco desenvolvimento. Se você não se compromete com o desenvolvimento da sua própria carreira, não posso fazer nada por ti. Se você não está disposto a estudar, não faça uma faculdade. Se você não tem tempo pra estudar, restam duas opções: não faça uma faculdade ou se organize, faça sacrifícios e arrume tempo pra estudar. Se você não quer ir pra faculdade, faça um curso à distância. Se você não quer nem estudar e nem ir pra faculdade e ainda assim quer ter um diploma, acho melhor você repensar toda a sua vida e o que de fato quer pra ela.
E o diploma me fez lembrar de uma coisa importante: diploma sem a conquista de saberes não quer dizer nada! Ele não vai ser mais do que um enfeite de parde de gosto duvidoso.
Pra terminar, sinceramente, por mais que eu goste de dar aulas em faculdade, estou ficando muito cansado de tudo isso, essa que é a verdade.
Aos meus bons alunos, felizmente a maioria, peço desculpas pelo desabafo e agradeço por fazerem do meu ambiente de trabalho um lugar ainda bom.
Marcio Guedes